Epidemia Zumbi: Um breve resumo da popularização dos zumbis

Eles estão em todos os lugares! Com a estreia da 8ª temporada de The Walking Dead em 22 de outubro, os zumbis voltam a infestar as redes sociais de todo mundo. Desde a primeira temporada em 2010, a série vem aumentando a base de fãs dos comedores de carne humana, que são inspiração para histórias em todo tipo de mídia: cinema, séries de TV, games, HQs e livros. Mas afinal, de onde vem essa moda (ou seria um surto?) zumbi?

O zumbi vem de antigas crenças haitianas, e eles infectaram a cultura norte-americana durante os anos de ocupação militar dos EUA nesse país caribenho no começo do século passado. Em 1929, o livro A Ilha da Magia, de WB Seabrook, foi o responsável por começar a disseminar o mito nos EUA, com relatos sensacionalistas sobre rituais vodus que o autor presenciou enquanto estava no Haiti. O mito se espalhou de tal forma, que em 1932 os zumbis já estrelavam no cinema com o filme White Zombie, de Victor Halperin, abrindo as portas para diversas obras de ficção com essas criaturas.

Além das origens místicas dos caçadores de miolos, um livro de 1954 influenciou todas as obras futuras sobre Apocalipse Zumbi: Eu sou a Lenda, de Richard Matheson. Apesar de não tratar especificamente de zumbis, é só ler a sinopse que a relação fica bem clara. A solidão do protagonista e a constante luta pela sobrevivência em um mundo dominado por mortos-vivos assassinos são pontos fortes deste livro, que estão presentes na maioria das histórias posteriores deste subgênero (seja com zumbis, vampiros ou qualquer outra criatura causando o fim dos tempos).

Inspirado em Matheson, George Romero lançou em 1968 o maior clássico dos filmes de zumbis, A Noite dos Mortos-Vivos,. Além de combinar zumbis e os elementos já utilizados por seu antecessor, Romero incorporou críticas sociais e elementos políticos em sua obra, tornando-a mais que mera carnificina (como se precisássemos de algo além de sangue jorrando e entranhas sendo devoradas para nos divertir… mas tudo bem, o cara foi genial).

É comum ouvir que essa coisa de zumbi é modinha, principalmente com a popularização de TWD nos últimos anos, mas a verdade é que os zumbis estão por aí faz tempo, e essa popularização vem se acentuando desde os anos 90. Hordas de zumbis infestam os cinemas todos os anos em filmes como Extermínio, Zumbilândia e, recentemente, o sul-coreano Invasão Zumbi. Também foram lançados ótimos games desde o primeiro Resident Evil em 1996, como Left 4 Dead e The Last of Us (entre vários outros), e até mesmo músicos se arriscaram com os mortos-vivos (quem nunca fez a dancinha do clipe de Thriller deve estar morto por dentro).

Na literatura temos casos que transcendem o nicho de fãs de zumbis e são obras essenciais para apreciadores de terror como um todo, como O Cemitério, de Stephen King, e Guerra Mundial Z, de Max Brooks (também autor de O Guia de Sobrevivência a Zumbis). Para quem busca um bom livro de zumbis a lista é enorme, mas um livro muito recomendado é Apocalipse Z, de Manel Loureiro. Também temos ótimas histórias de apocalipse zumbi em terras brasileiras: Terra Morta, de Tiago Toy, As Crônicas dos Mortos, de Rodrigo de Oliveira, e Febre Vermelha, de Francis Graciotto (eu!). No próprio Wattpad, uma busca por “zumbi” traz quase 4.000 histórias (é recomendado começar por Febre Vermelha, obviamente).

Então da próxima vez que alguém reclamar da moda zumbi, quem se importa? Os fãs só têm a ganhar com isso, e os mortos-vivos continuam famintos.

 

Texto originalmente publicado por Francis Graciotto, em Wattpad World News: www.wattpad.com/489970308-wattpad-world-news-revista-para-a-comunidade

 

Francis Graciotto é coadministrador do site Universo Zumbi e autor do livro Febre Vermelha e dos contos Dias Febris. Suas obras estão disponíveis na Amazon e outras livrarias, em formatos físico e digital.

Fb.com/FebreVermelha

Sobre Thiago Vitezi

Um moleque, um monstro capitalista de duas caras, bastardo e malvado.